66Bible

As doze tribos

Estudo bíblico: As doze tribos. Uma família. Um povo. Muitas histórias.

Referência

Génesis 49:1-2

«Depois chamou Jacó a seus filhos e disse: Ajuntai-vos, e anunciar-vos-ei o que vos há de acontecer nos dias vindouros. Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; e ouvi a Israel, vosso pai.»

Referência

Apocalipse 21:12

«E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel.»

Rúben

רְאוּבֵן

Re'uven

Vede, um filho!

1

Lia

Águas Agitadas & Mandrágoras

Representa a impetuosidade e instabilidade das águas revoltas, bem como as mandrágoras colhidas no campo para sua mãe.

Referência

Génesis 49:3-4

«Rúben, tu és meu primogénito, minha força e o princípio do meu vigor, o mais excelente em dignidade e o mais excelente em poder. Impetuoso como a água, não serás o mais excelente, porquanto subiste ao leito de teu pai; então o contaminaste; subiu à minha cama.»

Dotado de enorme potencial, honra inicial e o direito legal da primogenitura. Contudo, revelou-se inconstante e desprovido de autocontrolo emocional e moral. A sua transgressão com Bila, concubina de seu pai (Gn 35:22), revelou arrogância e fraqueza moral que lhe custaram a liderança espiritual e secular de Israel.

Primogénito de Israel, dotado de força e dignidade natural

Tentou salvar a vida de José no poço, sugerindo não derramar sangue (Gn 37:21-22)

Demonstrou sensibilidade e remorso pelo erro cometido contra José (Gn 42:22)

Impetuosidade incontrolável («inconstante como as águas»)

Falta de domínio próprio moral e profanação do leito paterno

Perda da primogenitura: a porção dobrada foi para José, o reinado para Judá e o sacerdócio para Levi (1 Cr 5:1-2)

A tribo de Rúben nunca produziu nenhum rei, profeta maior ou juiz de grande renome em Israel. Escolheu permanecer na Transjordânia a leste do Jordão com rebanhos, sendo uma das primeiras a sofrer as invasões assírias.

Referência

Deuteronómio 33:6

«Viva Rúben e não morra, e não sejam poucos os seus homens.»

Oração de misericórdia para a sobrevivência e preservação da tribo após as perdas demográficas no deserto (rebelião de Datã e Abirão, Nm 16).

Planalto oriental do Mar Morto (Transjordânia), terras férteis de pastagens tomadas a Seom, rei dos amorreus.

Datã e Abirão (líderes rebeldes com Coré)

Adina (um dos valentes guerreiros de David)

Cristo é o verdadeiro Primogénito de toda a criação (Cl 1:15), firme e fiel em toda a Sua casa, contrastando com a fraqueza instável do primeiro Adão e de Rúben.

O talento e privilégios de nascimento nada garantem sem temperança e fidelidade moral. Um momento de descontrolo carnal pode dissipar um legado espiritual irrevogável.

Simeão

שִׁמְעוֹן

Shim'on

Aquele que ouve / O Senhor ouviu

2

Lia

Espada de Guerra & Muralha Quebrada

A espada afiada da vingança e a cidade fortificada de Siquém que foi tomada com engano violento.

Referência

Génesis 49:5-7

«Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência. No seu conselho não entre a minha alma, e com a sua assembleia a minha glória não se ajunte; porque no seu furor mataram homens, e na sua teimosia desjarretaram bois. Maldito o seu furor, pois era forte, e a sua ira, pois era dura; dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel.»

Homem colérico, dominado por ira implacável e sede de vingança desproporcionada. Quando a sua irmã Diná foi desonrada por Siquém, associou-se a Levi para arquitetar um estratagema fraudulento através da circuncisão e massacrar os habitantes indefesos (Gn 34). Jacó desautorizou terminantemente o método e a crueldade dos irmãos.

Zelo ardente pela dignidade da família e da irmã

Capacidade de ação enérgica e destemor militar

Ira destrutiva, rancor e vingança sanguinária que profanou o sinal da aliança (circuncisão)

Falta de arrependimento imediato, justificando o ato injustificável («trataria ele nossa irmã como rameira?», Gn 34:31)

Decadência numérica: a tribo de Simeão encolheu de 59.300 homens (Nm 1:23) para apenas 22.200 (Nm 26:14) após a praga de Baal-Peor provocada pelo príncipe simeonita Zinri.

A tribo de Simeão não recebeu território coeso próprio na partilha de Josué; o seu lote ficou encravado dentro das fronteiras de Judá (Js 19:1-9) e acabou absorvido, cumprindo a dispersão profetizada por Jacó. Em Deuteronómio 33, Moisés nem sequer menciona Simeão na bênção.

Referência

Deuteronómio 33 (Omitido)

A tribo de Simeão não recebe menção nominal individual na bênção mosaica, refletindo o seu declínio e assimilação gradual dentro da tribo de Judá.

Julgamento histórico e advertência solene contra a fúria desenfreada.

Cidades dispersas no Negueve do sul, dentro da herança territorial da tribo de Judá (Berseba, Horma, Ziclague).

Zinri (príncipe que provocou o julgamento em Sitim)

Judite (heroína do período intertestamentário)

Jesus confronta e cura o espírito de vingança: «Põe a tua espada na bainha; pois todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão» (Mt 26:52). Na cruz, Cristo orou: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».

A ira do homem nunca opera a justiça de Deus (Tg 1:20). Quando o zelo religioso é contaminado por rancor e desumanidade, engendra juízo e desintegração moral.

Levi

לֵוִי

Levi

Unido / Ligado com afeto

3

Lia

Peitoral Sacerdotal & Menorá

As vestes sagradas de Aarão e o candelabro de ouro que iluminava o santuário de Deus.

Referência

Génesis 49:5-7

«Simeão e Levi são irmãos... dividi-los-ei em Jacó e os espalharei em Israel.»

Inicialmente cúmplice de Simeão no banho de sangue de Siquém, sujeito à mesma sentença de dispersão. Contudo, a história de Levi é o mais notável exemplo bíblico de REDENÇÃO: séculos depois, no deserto, quando Israel pecou com o bezerro de ouro, os levitas foram os únicos que responderam ao apelo de Moisés («Quem é do Senhor venha a mim!», Êx 32:26) e executaram o juízo divino com zelo santo.

Zelo incondicional pelo Senhor acima dos laços de sangue e família (Êx 32:26-29; Dt 33:9)

Finéias, neto de Aarão, manifestou zelo pelo Senhor e estancou a praga (Nm 25)

Guardaram os mandamentos e tornaram-se guardiães e mestres da Palavra para todo o Israel

Origem marcada pela fúria impetuosa e violência carnal em Siquém

Necessidade perpétua de manter a santidade e pureza sacerdotal sem desvios (como os filhos de Eli e de Aarão demonstraram)

A dispersão de Levi foi redimida por Deus: em vez de serem dispersos por maldição, foram espalhados como BÊNÇÃO e SAL em 48 cidades levíticas por todo o Israel, tornando o Senhor a sua porção e herança (Js 13:14).

Referência

Deuteronómio 33:8-11

«Dá a Levi o teu Tumim e o teu Urim ao homem teu fidedigno... pois guardaram a tua palavra e observaram a tua aliança. Ensinarão os teus juízos a Jacó e a tua lei a Israel; porão incenso diante de ti e holocausto sobre o teu altar.»

Elevação ao sacerdócio perpétuo e à guarda das decisões oraculares divinas (Urim e Tumim).

Sem lote territorial geográfico contínuo; receberam 48 cidades de refúgio e pastagens distribuídas em todas as tribos de Israel.

Moisés

Aarão

Miriã

Finéias

Samuel

Esdras

João Batista

Barnabé

Jesus Cristo é o nosso eterno Sumo Sacerdote celestial (Hebreus 4:14; 7:24-26), que ofereceu uma vez por todas o sacrifício perfeito de Si mesmo, inaugurando o sacerdócio real de todos os crentes (1 Pe 2:9).

Deus é poderoso para transformar um passado manchado pelo pecado num instrumento consagrado de serviço e ensino quando nos colocamos resolutamente do lado do Senhor.

Judá

יְהוּדָה

Yehudah

Louvor / Agora louvarei o Senhor

4

Lia

O Leão de Judá & O Cetro Real

O leão régio e invencível que repousa vitorioso, e o cetro de soberania messiânica perpétua.

Referência

Génesis 49:8-12

«Judá, a ti te louvarão os teus irmãos; a tua mão estará sobre o pescoço de teus inimigos; os filhos de teu pai a ti se inclinarão. Judá é um leãozinho; da presa subiste, filho meu; encurva-se e deita-se como um leão, e como uma leoa; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele obedecerão os povos. Amarrando ele o seu jumentinho à vide... lavará a sua roupa no vinho e a sua capa em sangue de uvas...»

Uma das mais ricas trajetórias de amadurecimento bíblico. Na juventude sugeriu vender José para lucrar (Gn 37:26) e falhou no episódio com Tamar (Gn 38). Contudo, reconheceu o seu pecado («Ela é mais justa do que eu») e operou uma profunda conversão: no Egito, ofereceu a própria vida como escravo voluntário para que o jovem Benjamim pudesse regressar em segurança aos braços de Jacó (Gn 44:33). Essa maturidade de sacrifício vicário qualificou-o para a bênção real.

Capacidade de autoexame e reconhecimento humilde dos próprios erros

Amor sacrificial vicário comprovado na defesa de Benjamim diante de José

Liderança natural, coragem inabalável e generosidade com os irmãos

Queda moral inicial com sua nora Tamar por falta de fidelidade à palavra empenhada

Conivência inicial no afastamento de José

Judá tornou-se a tribo real por excelência. Dela procedeu a dinastia do rei David e a profecia central de «Siló» (Aquele que traz a Paz, o Messias Prometido). As vestes lavadas em vinho e o sangue de uvas profetizam o cálice e o sacrifício de Jesus.

Referência

Deuteronómio 33:7

«Ouve, ó Senhor, a voz de Judá, e introduze-o no seu povo; com as suas mãos pelejou por si, e tu lhe serás ajuda contra os seus inimigos.»

Súplica divina por vitória militar e restauração da liderança régia perante as tribos irmãs.

O vasto planalto montanhoso meridional da Judeia, incluindo as colinas de Belém, Hebrom e Jerusalém.

Calebe

Boaz

David

Salomão

Ezequias

Josias

Zorobabel

Jesus Cristo (Yeshua HaMashiach)

Cumprido com majestade eterna no Novo Testamento: «Eis aqui o Leão da tribo de Judá, a Raiz de David, que venceu para abrir o livro e desatar os seus sete selos» (Apocalipse 5:5).

A verdadeira liderança que Deus honra não reside na perfeição moral inicial, mas no arrependimento genuíno e na disposição de se sacrificar pelo bem do irmão.

דָּן

Dan

Ele julgou / Deus fez justiça

5

Bila

Serpente na Vereda & Balança de Justiça

A víbora camuflada que ataca os calcanhares da cavalaria inimiga com astúcia implacável.

Referência

Génesis 49:16-18

«Dã julgará o seu povo, como uma das tribos de Israel. Dã será serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo, e faz cair o seu cavaleiro para trás. A tua salvação espero, ó Senhor!»

Caracterizado por agudeza mental, espírito perspicaz e tática de guerra assimétrica baseada em emboscadas rápidas em vez de força bruta frontal. Contudo, a analogia com a serpente traz uma advertência espiritual sombria: o perigo da traição, subtileza nociva e facilidade em deslizar para a idolatria.

Habilidade para administrar julgamento e justiça com perspicácia

Capacidade de enfrentar inimigos muito superiores através de tática e inteligência militar

Sansão, dotado de força sobrenatural do Espírito, julgou Israel durante 20 anos

A tribo de Dã foi a pioneira na institucionalização da idolatria aberta no norte de Canaã com imagens esculpidas (Juízes 18)

Mais tarde, acolheu um dos dois bezerros de ouro colocados pelo rei Jeroboão I (1 Reis 12:29)

Por causa dessa liderança histórica na apostasia, a tribo de Dã é omitida na lista das tribos seladas em Apocalipse 7.

A profecia culmina na exclamação espontânea e profética de Jacó: «LiYeshu’atecha kiviti Adonai» («A tua salvação [Yeshua] espero, ó Senhor!»), indicando que nem a justiça nem a astúcia humana podem salvar o homem da serpente antiga, exceto o Messias.

Referência

Deuteronómio 33:22

«Dã é um leãozinho que salta de Basã.»

Impulso repentino e agressividade defensiva no extremo norte do país.

Lote inicial na costa filisteia (Jope), depois migrou para o extremo norte, nas nascentes do Jordão aos pés do Monte Hermom (Laís/Dã).

Aoliabe (artesão mestre do Tabernáculo, Êx 31:6)

Sansão (juiz nazireu)

Em Cristo cumpriu-se a vitória definitiva sobre a serpente ancestral: «E o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés» (Romanos 16:20; Génesis 3:15).

A astúcia e os talentos intelectuais desprovidos de temor a Deus tornam-se armadilhas letais para a idolatria. A nossa segurança provém unicamente da Salvação do Senhor.

Naftali

נַפְתָּלִי

Naphtali

Minha luta / Conflito vencido

6

Bila

Gazela Solta & Ramos Formosos

A corça graciosa que salta livremente pelas montanhas, trazendo palavras poéticas de liberdade e formosura.

Referência

Génesis 49:21

«Naftali é uma gazela solta; ele profere palavras formosas [ou: dá formosos filhotes].»

Personalidade ágil, graciosa, amante da liberdade e da beleza na expressão verbal. Homem de espírito generoso, que não retinha rancor e usava o dom das palavras para harmonizar e consolar.

Agilidade física e prontidão de ação

Expressão poética, eloquência pacífica e comunicação encorajadora

Bravura aliada à humildade: associou-se a Baraque e Débora para derrotar as carruagens de ferro de Sísera (Juízes 4-5)

Risco de dispersão de foco e relutância inicial em fixar limites disciplinares estritos

A tribo habitou a deslumbrante região da Alta Galileia ao longo do Lago de Genesaré. Essa terra fértil e aberta foi o palco primordial onde o ministério de Jesus cumpriu a grande profecia messiânica de Isaías: a luz raiou na terra de Naftali.

Referência

Deuteronómio 33:23

«Naftali, farto da graça e cheio da bênção do Senhor; possui o ocidente e o sul.»

Plenitude de favor divino, descanso interior e abundância de colheitas.

As colinas e encostas férteis da Galileia Oriental, descendo até à margem noroeste do Mar da Galileia (Tiberíades, Cafarnaum).

Baraque (general libertador de Israel com a profetisa Débora)

Hirão de Tiro (filho de uma mulher de Naftali, mestre artífice de bronze no Templo de Salomão, 1 Rs 7:14)

Mateus 4:13-16 declara o cumprimento direto da profecia: «A terra de Zebulom e a terra de Naftali... o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; aos que estavam na região e sombra da morte a luz lhes raiou». As palavras formosas de Jesus foram pregadas primordialmente em Naftali.

A graça verbal e a liberdade espiritual são dons divinos destinados a proclamar as virtudes d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.

Gade

גָּד

Gad

Boa sorte / Uma tropa vem

7

Zilpa

Tenda de Guerra & Guerreiro com Escudo

A armadura militar, os guerreiros destemidos com faces de leões que contra-atacam os invasores pela retaguarda.

Referência

Génesis 49:19

«Quanto a Gade, um bando de guerrilheiros o acometerá, mas ele o acometerá no fim [perseguirá nos seus calcanhares].»

Resiliente, tenaz, guerreiro incansável que nunca se dá por vencido. Como a sua herança se situava nas fronteiras abertas do deserto oriental, sofria frequentes incursões armadas de amonitas e moabitas. Contudo, o seu traço distintivo era o contra-ataque vitorioso: podia sofrer o primeiro impacto, mas triunfava no final.

Resiliência extraordinária sob pressão e perigo contínuo

Lealdade inabalável: cumpriram a promessa feita a Moisés de marchar na vanguarda para ajudar as outras tribos a conquistar Canaã antes de repousarem nas suas próprias terras (Nm 32:20-22)

Os guerreiros de Gade que se juntaram a David tinham rostos «como rostos de leões e eram velozes como gazelas» (1 Cr 12:8)

A exposição constante a conflitos de fronteira e a distância do Templo em Jerusalém criaram vulnerabilidade a influências pagãs circundantes

A profecia de Jacó assegurou a perseverança vitoriosa de Gade diante dos assaltos inimigos.

Referência

Deuteronómio 33:20-21

«Bendito aquele que faz dilatar a Gade; habita como leoa, e despedaça o braço e o alto da cabeça... executou a justiça do Senhor e os seus juízos para com Israel.»

Louvor pelo vigor militar e pela fidelidade em executar a justiça divina em favor dos irmãos.

O planalto fértil de Gileade na Transjordânia central, entre o Rio Jaboque e o Mar da Galileia.

Jefté (juiz e guerreiro heroico de Gileade)

Barzilai, o gileadita (homem nobre e generoso com David no exílio)

Em Cristo, o crente é equipado com a armadura de Deus (Efésios 6) e experimenta a vitória final: «Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou» (Romanos 8:37).

Na caminhada da fé, sofrer reveses ou ataques do inimigo não determina o desfecho. Pela graça de Deus, quem persevera vence no final.

Aser

אָשֵׁר

Asher

Feliz / Bem-aventurado

8

Zilpa

Ramo de Oliveira Frutífero & Pão Real

A oliveira próspera derramando azeite sobre a rocha e o cesto de pães e delícias finas para mesas reais.

Referência

Génesis 49:20

«De Aser, o seu pão será gordo, e ele dará delícias reais [iguarias dignas de reis].»

Pessoa serena, produtiva, generosa e abençoada com prosperidade material que sabia partilhar com nobreza. Conhecido pela ausência de intrigas e pela capacidade de cultivar frutos de excelência.

Trabalho profícuo e produção agrícola de altíssima qualidade

Hospitalidade e generosidade com as delícias reais

Paz e contentamento comunitário sem ambições imperialistas predatórias

Propensão a acomodar-se à abundância material e relutância inicial em envolver-se em batalhas nacionais arriscadas («Aser assentou-se na costa dos mares e ficou nas suas baías», Juízes 5:17)

A terra de Aser produziu os mais ricos azeites e trigos finos de Canaã, abastecendo palácios e cidades marítimas fenícias.

Referência

Deuteronómio 33:24-25

«Bendito seja Aser com filhos; agrade a seus irmãos e mergulhe em azeite o seu pé. De ferro e de bronze sejam os teus ferrolhos; e a tua força seja como os teus dias.»

Unção com azeite de oliveira abundante, proteção sólida e vigor renovado ao longo de toda a velhice.

A fértil planície litorânea do Mediterrâneo ocidental, desde o Monte Carmelo até Tiro e Sídon.

A profetisa Ana (filha de Fanuel, da tribo de Aser, que reconheceu e testemunhou de Jesus no Templo com 84 anos, Lucas 2:36-38)

Jesus é o verdadeiro Pão do Céu que satisfaz a fome da alma humana (João 6:51) e Aquele que nos unge com o óleo de alegria do Espírito Santo.

A prosperidade dada por Deus deve traduzir-se em serviço generoso e adoração perseverante, mantendo o coração focado nas coisas eternas mesmo na velhice, a exemplo da profetisa Ana.

Issacar

יִשָּׂשכָר

Yissakhar

Há uma recompensa / Homem de salário

9

Lia

Jumento Forte de Carga & As Estrelas do Céu

O animal robusto de trabalho incansável e a sabedoria dos tempos para discernir os desígnios de Deus.

Referência

Génesis 49:14-15

«Issacar é um jumento de ossos fortes, deitado entre dois fardos [ou cercados de ovelhas]. Viu que o descanso era bom, e que a terra era deleitosa; e abaixou o ombro para carregar fardos, e tornou-se servo sujeito a tributo.»

Trabalhador tenaz, robusto, prático e paciente. Tinha capacidade invulgar para suportar fardos pesados sem reclamar. Todavia, a advertência paterna residia na tentação de preferir o comodismo pacífico à custa da sua soberania política, aceitando pagar tributos a potências estrangeiras para preservar o conforto dos seus campos verdejantes.

Enorme capacidade para o esforço sustentado e diligência paciente

No reinado de David, os líderes de Issacar notabilizaram-se como sábios de profundo discernimento: «dos filhos de Issacar, conhecedores da época, para saberem o que Israel devia fazer» (1 Crónicas 12:32)

Tendência para o apaziguamento passivo a troco de tranquilidade temporal

Risco de abdicar da liberdade espiritual para evitar confrontos

A tribo ocupou a fertilíssima planície de Jezreel (Esdrelom), celeiro natural de Canaã com solos vulcânicos ultraprodutivos.

Referência

Deuteronómio 33:18-19

«Alegra-te... Issacar, nas tuas tendas... Chamarão os povos ao monte; ali oferecerão sacrifícios de justiça; porque sugarão a abundância dos mares e os tesouros escondidos na areia.»

Alegria familiar na paz doméstica e participação nas riquezas da terra.

O amplo e riquíssimo Vale de Jezreel, delimitado pelo Monte Tabor, Gilboa e o Rio Jordão.

Tola (juiz em Israel por 23 anos, Juízes 10:1)

Basa e Elá (reis do reino do norte de Israel)

Jesus convida os cansados e oprimidos: «Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mateus 11:29-30).

O trabalho árduo deve andar de mãos dadas com a coragem espiritual e o discernimento dos tempos, jamais negociando princípios sagrados em troca de paz ilusória.

Zebulom

זְבוּלוּן

Zevulun

Habitação de honra / Morada segura

10

Lia

Navio Mercante em Porto & Âncora

A embarcação à vela navegando em direção aos portos marítimos e expandindo as rotas mercantis.

Referência

Génesis 49:13

«Zebulom habitará no porto dos mares; ele será porto de navios, e o seu limite se estenderá até Sídon.»

Pioneiro, desbravador, com forte aptidão comercial e visão transcultural. Funcionou como ligação estratégica entre as rotas marítimas do Mediterrâneo e as rotas terrestres do interior da Galileia, facilitando o intercâmbio de bens e ideias.

Visão empreendedora e capacidade de relacionamento com povos distantes

Coragem inaudita no campo de batalha: Débora exaltou Zebulom como «um povo que expôs a sua vida à morte nos altos do campo» (Juízes 5:18)

Dos filhos de Zebulom vieram os que manejavam a caneta de escriba e organizavam as fileiras militares (Juízes 5:14; 1 Cr 12:33)

A constante exposição ao comércio fenício e cananeu exigia vigilância contra o sincretismo pagão

A profecia cumpriu-se nas suas vias de comércio que ligavam o Mar da Galileia ao porto mediterrânico de Acre e à Fenícia.

Referência

Deuteronómio 33:18-19

«Alegra-te, Zebulom, na tua saída... Chamarão os povos ao monte; ali oferecerão sacrifícios de justiça; porque sugarão a abundância dos mares e os tesouros escondidos na areia.»

Bênção nos empreendimentos exteriores e viagens comerciais.

Baixa Galileia, entre o Mar da Galileia e o Mar Mediterrâneo, incluindo Belém de Zebulom e Caná da Galileia.

Elom (juiz de Israel por dez anos, Juízes 12:11)

O apóstolo Natanael (Bartolomeu) de Caná da Galileia

Em conjunto com Naftali, o território de Zebulom foi o epicentro da pregação e dos primeiros milagres de Cristo (as bodas de Caná e o ministério galileu), cumprindo Isaías 9:1-2.

A vocação para os negócios, o comércio e a iniciativa exterior deve ser consagrada a Deus como ponte para abençoar nações e levar a verdade salvadora.

José

יוֹסֵף

Yosef

Que o Senhor acrescente / Ele acrescentará

11

Raquel

Ramo Frutífero Junto à Fonte & Arco Firme

A videira viçosa cujos sarmentos transpassam os muros, e o arco de guerra fortalecido pelas mãos do Deus de Jacó.

Referência

Génesis 49:22-26

«José é um ramo frutífero, ramo frutífero junto a uma fonte; os seus ramos correm sobre o muro. Os flecheiros lhe deram amargura, atiraram contra ele e o odiaram. Mas o seu arco permaneceu firme, e os braços de suas mãos foram fortalecidos pelas mãos do Poderoso de Jacó (donde é o Pastor e a Pedra de Israel), pelo Deus de teu pai, o qual te ajudará, e pelo Todo-Poderoso, o qual te abençoará com bênçãos dos céus de cima, com bênçãos do abismo que jaz abaixo, com bênçãos dos seios e da madre... estarão sobre a cabeça de José, e sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos!»

O mais elevado padrão moral e espiritual dos patriarcas. Vítima do ódio invejoso dos irmãos, da calúnia na casa de Potifar e do esquecimento na masmorra egípcia, José jamais amargurou o coração, jamais cedeu à tentação moral e jamais perdeu a fé na fidelidade soberana de Deus. Exaltado a governador supremo do Egito, exerceu perdão compassivo e graça salvadora sobre a sua família.

Pureza moral inegociável («Como cometeria eu este grande mal e pecaria contra Deus?», Gn 39:9)

Perdão total e visão teocêntrica do sofrimento («Vós bem intentastes mal contra mim, mas Deus o intentou para bem», Gn 50:20)

Extraordinária capacidade administrativa e prudência profética

Recebeu a porção dobrada da primogenitura transferida de Rúben, originando duas grandes tribos: Efraim e Manassés (Gn 48)

Na juventude, certa ingenuidade ao relatar os sonhos proféticos aos irmãos já enciumados

A profecia derramou a mais abundante torrente de bênçãos celestiais e terrestres sobre José. As meias-tribos de Efraim e Manassés formaram o coração territorial e militar do reino do norte.

Referência

Deuteronómio 33:13-17

«Bendita do Senhor seja a sua terra, com as coisas mais excelentes do céu, com o orvalho, e com o abismo que jaz abaixo... com as coisas excelentes das cabeças dos outeiros eternos... A sua glória é como a do primogénito do touro, e os seus chifres são chifres de búfalo; com eles escorneará os povos todos juntos até às extremidades da terra; estes são os dez milhares de Efraim, e estes são os milhares de Manassés.»

Porção dobrada da primogenitura e supremacia territorial de Efraim e Manassés.

As terras centrais de Samaria e da montanha de Efraim (Siquém, Siló) e as vastas regiões de Manassés de ambos os lados do Jordão.

Josué (sucessor de Moisés, da tribo de Efraim)

Gideão (juiz libertador, de Manassés)

Samuel (da serra de Efraim)

José é o tipo mais límpido de Jesus no Antigo Testamento: o Filho amado do Pai enviado aos Seus irmãos; rejeitado e vendido por prata; humilhado na prisão e sofrimento injusto; exaltado à destra do trono como Príncipe Salvador; que alimenta o mundo faminto de pão e oferece perdão e reconciliação a quem o traiu.

Quando somos atacados pelas "flechas" da inveja ou da injustiça, o segredo da vitória é manter as mãos fortalecidas nas mãos do Deus Poderoso de Jacó. O que os homens planeiam para o mal, Deus transforma em bênção eterna.

Benjamim

בִּנְיָמִין

Binyamin

Filho da minha mão direita (sua mãe Raquel chamou-o Benoni, «filho da minha dor»)

12

Raquel

Lobo que Despedaça & Funda Certeira

O lobo combativo e destemido que divide o despojo ao entardecer, e a funda dos guerreiros ambidestros.

Referência

Génesis 49:27

«Benjamim é um lobo que despedaça; pela manhã devorará a presa, e à tarde repartirá o despojo.»

Pequena em tamanho populacional e geográfico, mas dotada de ferocidade e audácia militar incomparáveis. Os benjamitas eram guerreiros exímios, conhecidos por dispararem pedras com a funda com a mão esquerda ou direita sem errar um único fio de cabelo (Juízes 20:16). Tinham temperamento ardente, lealdade profunda e combatividade feroz.

Destemor marcial e bravura extrema sob desvantagem numérica

Lealdade inquebrantável à casa de David: quando as dez tribos se rebelaram com Jeroboão, Benjamim permaneceu fiel a Judá e a Jerusalém (1 Reis 12:21)

Abrigo sagrado: a cidade de Jerusalém e o Monte do Templo estavam encravados no lote de Benjamim

Zelo cego e defesa corporativa de crimes morais graves (o crime nefando de Gibeá em Juízes 19-21, que quase levou a tribo à extinção total)

Impulsividade e orgulho nas suas habilidades de combate

A profecia do "lobo" cumpriu-se na sua destreza guerreira e no despojo partilhado nas vitórias de Israel.

Referência

Deuteronómio 33:12

«O amado do Senhor habitará seguro com ele; todo o dia o cobrirá, e ele habitará entre os seus ombros.»

Intimidade especial e presença permanente da habitação de Deus (o Templo de Jerusalém no território benjamita).

Faixa estratégica entre o reino do norte e do sul, contendo cidades como Jerusalém, Jericó, Betel, Gibeá e Ramá.

Eúde (juiz canhoto libertador)

Saul (primeiro rei de Israel)

Jónatas (filho leal de Saul e amigo de David)

Mardoqueu e a Rainha Ester (que salvaram o povo judeu da conspiração de Hamã)

O Apóstolo Paulo (Saulo de Tarso, «da tribo de Benjamim», Fp 3:5)

O cumprimento mais comovente da profecia do "lobo" manifestou-se na vida do apóstolo Paulo: pela manhã da sua vida, Saulo foi um lobo devorador que despedaçava a Igreja de Cristo (At 8:3; 9:1); mas ao cair da tarde da sua conversão na estrada de Damasco, transformou-se no grande arauto da graça, repartindo as riquezas insondáveis de Cristo a todas as nações gentílicas.

Não há temperamento ou ardor combativo que a graça de Deus não possa redirecionar. O que antes despedaçava no pecado pode tornar-se, nas mãos do Senhor, um instrumento destemido para espalhar a glória do Evangelho.