Os discípulos de Jesus
Estudo bíblico: Os discípulos de Jesus. Pessoas chamadas a seguir. Vidas transformadas.
Tema
Vasos de Barro, Tesouro Divino
2 Coríntios 4:7
«Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.»
Jesus não recrutou rabinos de elite, oradores profissionais, filósofos atenienses ou generais romanos. Chamou homens iletrados, pescadores rudes, um publicano detestado, um extremista político e caracteres cheios de ciúme, dúvida e medo. A glória do Evangelho reside precisamente aqui: Deus não procura pessoas extraordinárias para usá-las, mas escolhe pessoas comuns e imperfeitas e capacita-as pelo poder da Sua graça.
1 Coríntios 1:26-29 — «Vede, irmãos, a vossa vocação: não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes... para que nenhuma carne se glorie perante Ele.»
Simão Pedro
Cefas
Simão Barjonas
Betsaida / Cafarnaum da Galileia • Pescador profissional
Os Doze Apóstolos
«Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!» (Mt 16:16) & «Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que te amo!» (Jo 21:17)
Sanguíneo e impetuoso: falava antes de pensar e agia por puro impulso emotivo.
Auto-suficiência perigosa: afirmou que morreria por Jesus antes de todos, mas dormiu no Getsémani.
Cobardia dolorosa: negou o Senhor três vezes com juramentos diante de uma criada por medo do Sinédrio.
Preconceito inicial contra os gentios, repreendido mais tarde por Paulo em Antioquia (Gl 2:11-14).
Apresentado a Jesus pelo seu irmão André (Jo 1:40-42); chamado formalmente à beira do mar da Galileia após a pesca milagrosa: «Não temas; de agora em diante serás pescador de homens» (Lc 5:10).
O olhar quebrantador de Jesus ao cantar do galo levou-o ao choro amargo do arrependimento. Na praia da Galileia, o Cristo ressurreto restaurou-o três vezes do seu pecado de negação, comissionando-o: «Apascenta as minhas ovelhas». No Pentecostes, cheio do Espírito Santo, o homem que fugira de uma criada levantou-se perante milhares para pregar o Evangelho com intrepidez.
Líder e porta-voz apostólico na fundação da Igreja em Jerusalém (Atos 1–12).
Pregou no Pentecostes com a conversão de quase três mil almas no mesmo dia.
Usado por Deus para abrir a porta da fé aos gentios na casa de Cornélio (Atos 10).
Autor canónico de 1 e 2 Pedro, legando tratados profundos sobre o sofrimento piedoso e a firmeza da esperança.
Mateus 16:13-19
Lucas 22:31-34, 54-62
João 21:15-19
Atos 2:14-41
1 Pedro 1:3-9
Segundo o testemunho de historiadores primitivos (Tertuliano, Eusébio e Clemente de Roma), Pedro foi martirizado em Roma por volta de 64–67 d.C. sob o imperador Nero. Foi condenado à crucificação e solicitou expressamente ser pendurado de cabeça para baixo, por considerar-se indigno de morrer da mesma forma que o seu Senhor Jesus Cristo.
Uma queda moral dolorosa não é o fim para quem se arrepende. A graça de Cristo restaura o vaso partido e transforma fraqueza em rocha de firmeza espiritual.
André
O Primeiro Chamado (Protokletos)
Betsaida da Galileia • Pescador, irmão de Simão Pedro
Os Doze Apóstolos
«Achámos o Messias!» (Jo 1:41) & «Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes...» (Jo 6:9)
Personalidade discreta e reservada, vivendo frequentemente na sombra do seu irmão mais carismático e ruidoso (Pedro).
Não integrava o trio íntimo de Jesus (Pedro, Tiago e João), mas nunca demonstrou ponta de ciúme, ressentimento ou inveja ministerial.
Era discípulo de João Batista; ao ouvir o Batista dizer «Eis o Cordeiro de Deus», seguiu imediatamente Jesus e passou o dia com Ele (Jo 1:35-40).
Descobriu que a sua vocação suprema era ser um elo discreto e fiel. Cada vez que André aparece nos Evangelhos, está a levar alguém a Jesus: primeiro o seu irmão Pedro, depois o menino do lanche para a multiplicação dos pães, e mais tarde os gentios gregos que queriam ver Jesus (Jo 12:20-22).
Pioneiro no evangelismo pessoal: o homem que trouxe o líder do Pentecostes (Pedro) a Cristo.
Fé prática: enquanto Filipe calculava 200 denários, André encontrou o recurso existente e colocou-o nas mãos de Jesus.
Evangelizou vastas regiões da Trácia, Cítia (sul da atual Ucrânia/Rússia) e Grécia.
João 1:35-42
João 6:8-10
João 12:20-22
Marcos 13:3-4
Martirizado na cidade de Patras, na Acaia (Grécia), por volta de 60 d.C., sob o procônsul romano Egéas. Foi amarrado (e não pregado, para prolongar o sofrimento) a uma cruz decussata em forma de «X» (conhecida até hoje como a Cruz de Santo André). Mesmo suspenso nas suas dores durante dois dias, continuou a pregar apaixonadamente a mensagem do Salvador à multidão que se reunia ao seu redor até expirar.
Você não precisa de estar nos holofotes para mudar a história do Reino. Levar uma única pessoa a Jesus pode abençoar milhões.
Tiago, filho de Zebedeu
Tiago Maior
Boanerges (Filho do Trovão)
Galileia • Pescador, filho de Zebedeu e Salomé, irmão mais velho de João
Os Doze Apóstolos
«Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma?» (Lc 9:54) & «Podemos beber o cálice que tu bebes» (Mc 10:39)
Temperamento explosivo, colérico e vingativo (apelidado por Jesus de «Boanerges», Filho do Trovão).
Ambição carnal de poder e destaque político: solicitou com o irmão sentar-se à direita e esquerda de Cristo no Seu Reino terrenal.
Intolerância contra aldeias que não demonstraram hospitalidade imediata ao Mestre.
Chamado por Jesus enquanto consertava as redes de pesca com o seu pai e irmão no barco; deixou imediatamente as redes e a estabilidade familiar para seguir o Mestre (Mt 4:21-22).
Testemunha ocular da glória divina na Transfiguração, da soberania sobre a morte na ressurreição da filha de Jairo e da agonia no Getsémani. O coração furioso e ambicioso foi crucificado: o homem que pedia fogo contra os homens tornou-se o primeiro a derramar o próprio sangue pelos homens.
Membro do círculo íntimo de três discípulos mais chegados de Jesus.
Coluna de oração e autoridade na jovem Igreja de Jerusalém.
Demonstrou coerência total: bebeu com fidelidade o cálice de sofrimento que outrora prometera a Jesus.
Marcos 3:17
Marcos 10:35-45
Lucas 9:51-56
Atos 12:1-2
O primeiro apóstolo a selar o seu testemunho com a morte física. Por volta de 44 d.C., o rei Herodes Agripa I desencadeou uma perseguição para agradar aos líderes religiosos e mandou executar Tiago à espada por decapitação em Jerusalém (Atos 12:1-2). Relatos históricos contam que o seu carrasco ficou tão impressionado com a sua serenidade que se converteu a Cristo e foi decapitado junto com ele.
Deus canaliza o ímpeto e a paixão desordenada para uma coragem santa e inabalável que não teme nem a própria morte.
João, filho de Zebedeu
O Discípulo Amado
O Teólogo
Boanerges
Galileia • Pescador, irmão de Tiago Maior
Os Doze Apóstolos
«Mestre, vimos um que em teu nome expulsava demónios e nós lho proibimos, porque não segue connosco» (Mc 9:38) vs «Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus» (1 Jo 4:7)
Jovem intolerante, sectário e exclusivista no início: tentou calar quem fazia o bem só por não pertencer ao seu grupo.
Junto com o irmão Tiago, nutriu ganância de cargos de liderança no Reino de Deus.
Fugiu cobardemente no momento da prisão de Jesus no Jardim.
Anteriormente discípulo de João Batista; seguiu Jesus após a recomendação do Batista e foi chamado formalmente na pesca com Tiago (Mt 4:21).
De "Filho do Trovão" a "Apóstolo do Amor". Reclinou-se no peito de Jesus na Última Ceia; foi o único apóstolo a comparecer corajosamente ao pé da Cruz no Calvário, recebendo de Jesus a incumbência sagrada de cuidar de Maria como sua mãe (Jo 19:26-27). Testemunhou a sepultura vazia e reconheceu o Cristo ressurreto no lago: «É o Senhor!».
Coluna fundamental da Igreja universal (Gl 2:9), ministrando com Pedro em Jerusalém e Samaria.
Autor do Evangelho de João (com a mais sublime revelação da divindade encarnada do Logos).
Autor de 1, 2 e 3 João (a teologia do amor cristão, luz e comunhão) e do livro do Apocalipse.
Pastoreou a igreja de Éfeso durante as últimas décadas do primeiro século.
João 13:23-25
João 19:25-27
João 20:1-8
João 21:7, 20-24
1 João 4:7-12
Apocalipse 1:9-19
Foi o único dos Doze que não morreu de forma violenta prematura. Sofreu intensa perseguição, tendo sido exilado na desolada ilha vulcânica de Patmos sob o imperador Domiciano pelo testemunho de Jesus («por causa da palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo»). Após ser libertado, regressou a Éfeso, onde faleceu de causas naturais em extrema velhice por volta de 98–100 d.C., exortando até aos seus últimos dias: «Filhinhos, amai-vos uns aos outros».
A convivência íntima com o amor de Jesus tem o poder soberano de amaciar a dureza e transformar mentes intolerantes em canais da mais pura compaixão.
Filipe de Betsaida
O Inquiridor
Betsaida da Galileia (mesma cidade de Pedro e André)
Os Doze Apóstolos
«Duzentos denários de pão não lhes bastariam para que cada um tomasse um pouco» (Jo 6:7) & «Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta» (Jo 14:8)
Mente calculista, pragmática e limitada pelas leis do mundo natural visível.
Lentidão na perceção espiritual: após anos com Jesus, ainda pediu para ver o Pai celestial fisicamente, recebendo a doce repreensão: «Há tanto tempo que estou convosco e não me conheces, Filipe? Quem me vê a mim, vê o Pai».
Encontrado diretamente por Jesus na Galileia com a ordem imperativa: «Segue-me» (Jo 1:43).
Apesar do ceticismo prático inicial, Filipe correu logo a anunciar a Natanael: «Achámos aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei e os profetas: Jesus de Nazaré!». Quando Natanael duvidou, Filipe deu a resposta missionária perfeita: «Vem e vê». O Espírito Santo converteu a sua mente analítica num instrumento de fé intrépida.
Pioneiro missionário na Ásia Menor e na Frígia.
Capacidade de acolhimento transcultural: os gregos procuraram Filipe para ter acesso a Jesus (Jo 12:21).
Plantou comunidades florescentes em Hierápolis.
João 1:43-46
João 6:5-7
João 12:21-22
João 14:8-11
Atos 1:13
Tradições e registos do segundo século (como Polícrates de Éfeso) atestam que Filipe evangelizou com poder em Hierápolis (Frígia), onde converteu a esposa do procônsul romano. Furioso, o magistrado mandou açoitá-lo, prendê-lo e executá-lo pregando-o ou suspendendo-o de cabeça para baixo num poste/crucifixo por volta de 80 d.C.
Deus não rejeita mentes questionadoras ou atentas aos factos; Ele ensina-nos que a fé não nega a realidade, mas ancora-se no Deus que é maior do que os números.
Bartolomeu (Natanael)
Natanael de Caná
Bar-Tolmai (filho de Tolmai)
Caná da Galileia • Estudioso das Escrituras
Os Doze Apóstolos
«Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?» (Jo 1:46) & «Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!» (Jo 1:49)
Preconceito regional e altivez intelectual: desprezou a modesta vila de Nazaré.
Ceticismo crítico e relutância inicial em aceitar o que feria as suas expectativas messiânicas tradicionais.
Trazido pelo amigo Filipe. Quando Jesus o viu aproximar-se, disse dele: «Eis verdadeiramente um israelita em quem não há dolo». Ao perguntar: «Donde me conheces tu?», Jesus respondeu: «Antes que Filipe te chamasse, estando tu debaixo da figueira, eu te vi» (Jo 1:47-48).
A revelação da omnisciência de Jesus desmontou instantaneamente o seu cinismo preconceituoso. Ele prostrou-se com uma das primeiras e mais grandiosas confissões de fé do Evangelho, ouvindo a promessa de que veria o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.
Testemunha ocular fiel da vida e ressurreição de Cristo.
Missionário desbravador na Índia, Mesopotâmia e no reino da Arménia, onde levou um manuscrito do Evangelho de Mateus em hebraico.
Reconhecido como um dos pais fundadores da Igreja Arménia.
João 1:45-51
João 21:2
Mateus 10:3
Atos 1:13
Martirizado na cidade de Albanópolis (atual Derbent ou Azerbaijão/Arménia). Após converter Polímio, rei da Arménia, o irmão deste, Astíages, enfurecido com o colapso do culto aos ídolos locais, ordenou que Bartolomeu fosse cruelmente esfolado vivo e depois crucificado ou decapitado por se recusar a renunciar a Cristo.
Um coração sincero e sem hipocrisia, mesmo quando erra no julgamento, rende-se com fervor quando confrontado com a verdade límpida de Cristo.
Mateus (Levi)
Levi, filho de Alfeu
Cafarnaum da Galileia • Publicano (cobrador de impostos romano)
Os Doze Apóstolos
«E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.» (Mt 9:9)
Estigmatizado e odiado: os publicanos eram considerados traidores nacionais e extorquidores corruptos pela sociedade judaica, proibidos até de testemunhar em tribunais.
Apegado ao dinheiro e ao conforto material proporcionado pelo serviço ao império opressor romano.
Jesus viu-o sentado na banca de cobrança de impostos em Cafarnaum. Contra todos os padrões morais e religiosos da época, Jesus estendeu a mão ao excluído moral e chamou-o diretamente: «Segue-me».
Mateus abandonou imediatamente a alfândega, as riquezas e a carreira lucrativa. A sua primeira reação não foi esconder-se, mas oferecer um banquete em sua casa para todos os seus colegas publicanos e pecadores conhecerem Jesus. O coração outrora focado em contabilizar dinheiro dedicou-se a contabilizar as profecias cumpridas pelo Messias.
Autor do Primeiro Evangelho Canónico (Evangelho de Mateus), a ponte perfeita entre o Antigo e o Novo Testamento, demonstrando aos judeus como Cristo cumpre todas as Escrituras.
Evangelizou a Judeia e viajou para regiões da Pérsia e Etiópia.
Mateus 9:9-13
Marcos 2:14-17
Lucas 5:27-32
Mateus 10:3
Segundo relatos da tradição cristã primitiva (como Clemente de Alexandria), Mateus serviu na Judeia por cerca de quinze anos após a ressurreição e depois seguiu em missão para a Etiópia e Pérsia. Na Etiópia, após repreender os costumes imorais da corte do rei Hirtaco, foi assassinado traiçoeiramente junto ao altar enquanto celebrava a oração comunitária, trespassado por uma lança ou espada.
Não há passado tão manchado que a voz de Jesus não possa redimir. O que o mundo considera escória e traidor torna-se nas mãos de Deus o cronista do Rei dos reis.
Tomé
Dídimo (O Gémeo)
Galileia • Provável pescador ou construtor
Os Doze Apóstolos
«Vamos nós também, para morrermos com ele» (Jo 11:16) vs «Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos... de maneira nenhuma o crerei» (Jo 20:25)
Pessimista e melancólico crónico: via com antecedência os piores cenários e desfechos fatais.
Ceticismo empírico rigoroso: exigiu provas físicas palpáveis para aceitar a vitória de Cristo sobre a morte.
Isolou-se dos irmãos no primeiro domingo da ressurreição, perdendo a primeira aparição coletiva do Senhor.
Escolhido como um dos Doze apóstolos após uma noite inteira de oração de Jesus no monte (Lc 6:12-15).
Oito dias depois, com as portas trancadas, Jesus surge no meio deles e chama diretamente Tomé: «Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé não precisou de tocar: caiu de joelhos e pronunciou o mais sublime clímax teológico de todos os Evangelhos: «Senhor meu e Deus meu!».
O cético transformou-se no mais audacioso explorador missionário entre os Doze.
Cruzou desertos e nações até alcançar a costa sul da Índia (Costa de Malabar e Cranganore) em 52 d.C.
Fundou igrejas históricas na Índia que preservam até hoje a herança dos "Cristãos de São Tomé".
João 11:14-16
João 14:4-6
João 20:24-29
João 21:2
Atos 1:13
Martirizado na colina de São Tomé, perto de Madras (atual Chennai, Índia), por volta de 72 d.C. Enfrentando a oposição furiosa de sacerdotes idólatras locais pelo sucesso estrondoso da pregação do Evangelho e conversão de famílias nobres, foi trespassado mortalmente por lanças e flechas enquanto orava.
A dúvida honesta trazida aos pés de Jesus não gera condenação, mas uma revelação ainda mais sublime e um compromisso inabalável até aos confins da terra.
Tiago, filho de Alfeu
Tiago Menor (o Justo ou o Pequeno)
Galileia • Homem do campo
Os Doze Apóstolos
«Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu...» (Mt 10:3)
O discípulo do anonimato: sem frases de impacto, discursos célebres ou episódios dramáticos registados nas Escrituras.
Risco humano de desânimo ou complexo de inferioridade por nunca estar entre as personalidades destacadas.
Chamado soberanamente para fazer parte dos Doze (Mt 10:3; At 1:13). Sua mãe, Maria, foi uma das mulheres devotas que sustentaram Jesus e foram ao sepulcro na alvorada da ressurreição (Mc 15:40).
Compreendeu que a verdadeira grandeza no Reino de Deus não depende de fama pública ou registos em crónicas terrenas, mas da lealdade diária e perseverante no corpo de Cristo. Permaneceu fiel no cenáculo em oração e na edificação da Igreja primitiva.
Testemunha qualificada e inabalável da ressurreição de Jesus.
Trabalho de evangelização silencioso e consistente na Judeia e regiões da Síria.
Mateus 10:3
Marcos 15:40
Lucas 6:15
Atos 1:13
Historiadores primitivos relatam que, após anos de ministério fiel e irrepreensível, foi levado pelos opositores religiosos ao pináculo do Templo em Jerusalém e lançado de lá abaixo por recusar negar a divindade de Cristo. Sobrevivendo à queda dolorosa, ajoelhou-se para orar pelos seus assassinos, sendo finalmente morto a golpes com um bastão de pisoeiro.
Deus vê e honra o servo silencioso. A eternidade celebrará multidões de crentes anónimos que foram fiéis até ao fim sem jamais buscarem aplausos humanos.
Simão, o Zelote
Simão Cananita
Galileia • Militante nacionalista e revolucionário
Os Doze Apóstolos
«Simão, chamado Zelote...» (Lc 6:15) — O homem que trocou o ódio político pelo amor redentor
Radical político inflamado: os Zelotes eram guerrilheiros fanáticos que defendiam a luta armada e o assassinato de romanos para libertar Israel.
Ódio mortal e visceral contra colaboradores de Roma — o que tornaria naturalmente inconcebível conviver pacífica e fraternalmente com um publicano como Mateus!
Chamado por Jesus para trocar uma revolução humana sangrenta e passageira pela revolução celestial do coração através do amor sacrificial (Lc 6:15).
O milagre do colégio apostólico de Jesus: colocar sob o mesmo teto Simão (o guerrilheiro anti-romano) e Mateus (o cobrador de impostos pro-romano), sentados à mesma mesa, partindo o mesmo pão e lavando os pés um do outro! A Cruz destruiu o partidarismo político carnal e gerou a verdadeira fraternidade.
Canalizou o seu fervor indomável para a expansão do Reino de Deus.
Evangelizou no Norte de África (Egito, Cirene) e na Pérsia.
Mateus 10:4
Marcos 3:18
Lucas 6:15
Atos 1:13
A tradição cristã indica que Simão pregou na Mauritânia e depois viajou para a Mesopotâmia e Pérsia com Judas Tadeu. Lá, enfrentando o ódio dos magos zoroastrianos locais por destruir os ídolos pelo poder do Evangelho, foi martirizado com extrema crueldade, sendo serrado vivo ao meio.
Nenhuma ideologia terrena ou ódio partidário pode resistir ao Evangelho. Em Cristo, inimigos mortais tornam-se irmãos que dão a vida uns pelos outros.
Judas Tadeu
Lebeu
Judas, filho de Tiago (não o Iscariotes)
Galileia • Homem do campo
Os Doze Apóstolos
«Senhor, donde vem que te hás de manifestar a nós e não ao mundo?» (Jo 14:22)
Compreensão messiânica ainda limitada à expectativa de uma teofania política deslumbrante e exterior diante das nações.
O fardo de carregar o mesmo nome daquele que traiu o Salvador, exigindo sempre a nota canónica explicativa: «Judas (não o Iscariotes)».
Chamado soberanamente para os Doze (Mt 10:3; Lc 6:16).
Jesus respondeu à sua dúvida na Última Ceia com uma revelação preciosa: «Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada» (Jo 14:23). Tadeu entendeu que o Reino se manifesta na intimidade do amor obediente e no Espírito interior.
Evangelizou vigorosamente a Mesopotâmia, Síria e Pérsia.
Fiel testemunha da santidade e perseverança doutrinária.
João 14:21-24
Mateus 10:3
Lucas 6:16
Atos 1:13
Martirizado na Pérsia por volta de 65 d.C. juntamente com Simão, o Zelote. Por se recusar a adorar os deuses pagãos do sol e da lua, foi espancado brutalmente com maças e clavas por sacerdotes enfurecidos e depois decapitado por um machado de carrasco.
O Senhor não precisa de espetáculos pomposos para o mundo: Ele faz morada no coração humilde que obedece com lealdade à Sua Palavra.
Matias
O Substituto Escolhido
Judeia • Discípulo veterano e constante
Discípulo Suplente
«É necessário, pois, que, dos homens que conviveram connosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós... um destes se faça connosco testemunha da sua ressurreição.» (Atos 1:21-22)
Acompanhou todo o ministério de Jesus sem qualquer título, posição de destaque ou menção nos quatro Evangelhos.
Submeteu-se humildemente à soberania dos votos e do sorteio apostólico de Atos 1.
Seguiu Jesus fielmente desde o batismo ministrado por João Batista no rio Jordão até ao dia da gloriosa Ascensão aos Céus.
Após a queda trágica de Judas Iscariotes, a congregação dos 120 orou em Atos 1 para que o Senhor revelasse quem ocuparia a vaga apostólica. Matias foi escolhido pela oração e adicionado aos onze apóstolos, recebendo a mesma unção no dia de Pentecostes.
Fiel nos bastidores por anos a fio antes de receber qualquer nomeação pública.
Evangelizou a Judeia e, segundo a tradição, levou o Evangelho até à Capadócia e regiões do Cáucaso.
Atos 1:15-26
Segundo registos históricos primitivos, Matias ministrou incansavelmente aos povos da Judeia e Etiópia/Cáucaso. Foi preso por opositores religiosos, condenado por pregar a ressurreição de Cristo, primeiro apedrejado e depois decapitado com uma acha de armas romana em Jerusalém por volta de 80 d.C.
A fidelidade oculta e sem aplausos prepara os obreiros para grandes responsabilidades quando o tempo de Deus chega.
Judas Iscariotes (A Advertência Solene)
O Traidor
O Filho da Perdição
Queriote da Judeia (o único não-galileu entre os Doze) • Tesoureiro do grupo
Os Doze Apóstolos
«Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata.» (Mt 26:15) & «Com um beijo trais o Filho do Homem?» (Lc 22:48)
Avareza enraizada: roubava o dinheiro da bolsa comum e disfarçava a ganância com falsa piedade social perante os pobres (Jo 12:4-6).
Coração impermeável: assistiu aos mesmos sermões, viu os mesmos milagres e teve os pés lavados por Jesus sem nunca abrir o coração à salvação.
Remorso desesperado em vez de arrependimento genuíno: arremessou as moedas de prata no templo e foi enforcar-se (Mt 27:3-5).
Chamado soberanamente por Jesus no início para fazer parte dos Doze, cumprindo as profecias das Escrituras (Sl 41:9).
Nunca experimentou o novo nascimento. Satanás entrou nele na ceia pascal porque encontrou uma porta aberta de cobiça e decepção carnal. Vendeu o Salvador pelo preço de um escravo comum e colheu a destruição eterna.
Exemplo solene em todas as Escrituras: proximidade externa com a religião, privilégios ministeriais e convivência com os santos não garantem salvação da alma.
Mateus 26:14-16, 47-50
Mateus 27:3-10
João 12:4-6
João 13:21-30
Atos 1:16-20
Suicidou-se por enforcamento tomado de desespero e culpa no campo do oleiro (Aceldama, Campo de Sangue), conforme profetizado pelos profetas Zacarias e Jeremias (Mt 27:5-8; At 1:18).
Podemos enganar os homens, ter cargos eclesiásticos e manusear recursos sagrados, mas Deus olha para o coração. Estar perto de Jesus sem amar a Jesus é a maior tragédia humana.
As Mulheres Seguidoras & Discípulas de Jesus
Maria Madalena
Joana (mulher de Cuza)
Salomé (mãe de Tiago e João)
Maria, mãe de Tiago e José
Marta e Maria de Betânia
Magdala, Jerusalém e cidades da Galileia • Mulheres de famílias nobres e humildes
Mulheres Discípulas
«E também algumas mulheres que haviam sido curadas... Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demónios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, que o serviam com os seus bens.» (Lucas 8:2-3)
Enfrentavam o preconceito cultural opressor do século I, onde as mulheres eram marginalizadas e desprovidas de voz pública.
Enfrentaram o perigo supremo de permanecerem junto à cruz de um homem executado por sedição contra Roma, enquanto quase todos os apóstolos masculinos fugiam.
Libertadas de enfermidades, opressões espirituais e condenações sociais pelo toque gracioso de Jesus. O Mestre quebrou todas as barreiras rabínicas ao acolhê-las como discípulas de pleno direito sentadas aos Seus pés para aprender a Palavra (como Maria de Betânia em Lc 10:39).
Permaneceram firmes e inabaláveis quando os Doze se dispersaram no Getsémani: choraram no caminho da Via Dolorosa, permaneceram aos pés da Cruz até ao último suspiro de Cristo, acompanharam onde o corpo foi sepultado e chegaram antes do nascer do sol no domingo para ungir o Salvador.
Sustentaram material e financeiramente o ministério itinerante de Jesus e dos apóstolos (Lc 8:3).
Foram as primeiras testemunhas oculares da Ressurreição de Jesus.
Maria Madalena foi comissionada pelo próprio Cristo como a primeira mensageira ("Apóstola dos Apóstolos") para proclamar aos onze apóstolos incrédulos: «Vi o Senhor!» (Jo 20:17-18).
Fizeram parte dos 120 no cenáculo perseverando em oração contínua até à descida do Espírito Santo no Pentecostes (Atos 1:14).
Lucas 8:1-3
Lucas 10:38-42
Mateus 27:55-61
Marcos 16:1-11
João 20:11-18
Atos 1:14
Serviram à Igreja primitiva com amor abnegado e hospitalidade (acolhendo as igrejas nas suas casas, como Priscila, Maria mãe de João Marcos e Lídia). Viveram vidas de consagração santa e testemunho corajoso sob perseguição imperial.
Jesus restaura a dignidade dos marginalizados. A fidelidade e o amor sincero nos momentos mais escuros são honrados por Deus com a mais sublime das revelações.